Plano de Contingência do Pinheiro é atualizado; veja novos pontos de encontro

O Plano de Contingência de Proteção e de Defesa Civil dos bairros Bebedouro, Mutange e Pinheiro, em Maceió, foi atualizado e apresentado à imprensa nesta quarta-feira (17). O documento, com cerca de 100 páginas, foi elaborado pela Defesa Civil de Maceió com a participação das defesas civis Estadual e Nacional, e detalha a atuação de órgãos, instituições e empresas na preparação, no monitoramento e nas respostas em ações preventivas e também em caso de desastre.

O que muda é a localização de alguns dos pontos de apoio em caso de evacuação dos bairros. Agora, também são pontos de encontro o ginásio de esportes Tenente Madalena, no Bom Parto, e a sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteal), no Mutange. Continuam como pontos a Praça Lucena Maranhão, em Bebedouro; o Cepa, no Farol; e a Praça Joaquim Marques Luz, no Sanatório, onde fica o Terminal do Sanatório. De lá, os moradores embarcarão em ônibus em direção ao Ginásio Fernando Collor (Ginásio do Sesi), no Trapiche, local definido como abrigo temporário.

O Plano atualizado tem validade até o dia 30 deste mês, data prevista para a divulgação do relatório final das análises realizadas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). “O Plano mostra como devem ser as ações preventivas para o caso de chuvas fortes na região, além do socorro, da assistência e restabelecimento nos bairros caso imóveis venham a ter problemas mais graves por causa das rachaduras”, explica o coordenador Municipal de Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos.

Cerca de 40 órgãos, instituições e empresas fazem parte do Plano, incluindo secretarias municipais e estaduais, Polícia Militar, o 59º Batalhão de Infantaria Motorizada, a Aeronáutica e a Capitania dos Portos. O documento traz, ainda, os cenários de risco nos três bairros e o plano de evacuação, que deverá ser executado de forma preventiva ou em caso de desastre.

No Pinheiro, onde as fissuras surgiram há mais tempo, os cenários de risco correspondem ao mapa de feições produzido pela CPRM, que classificou os locais em áreas vermelha, laranja e amarela. A área vermelha, de maior risco, concentra 514 imóveis e mais de 1.900 moradores. A laranja possui quase 1.600 imóveis, e a amarela, 332. Pelo Plano de Contingência, são considerados fatores de risco ocorrências como o surgimento de rachaduras e buracos em terrenos, o desabamento de edificações ou o deslizamento de encostas.

“O Plano será ativado pela Defesa Civil de Maceió ou a Estadual sempre que forem constatadas as condições que caracterizam um dos cenários de risco previstos, respeitando a evolução do evento, seja pelo crescimento das informações monitoradas, pela ocorrência ou pela dimensão do impacto”, afirma Arthur Rodas, engenheiro da Defesa Civil de Maceió.

O comandante operacional da Região Metropolitana do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, tenente-coronel Alan Leite, destacou que o Plano de Contingência norteia todas as ações para que os órgãos trabalhem de forma integrada, cada um com sua responsabilidade e demandas. “E, a partir dessa atualização apresentada hoje, nós poderemos atualizar também as informações de todos os demais planos, como o plano de operação do Corpo de Bombeiros, que precisa de atualização constante já que o desastre é algo dinâmico. Vamos atualizar o nosso Plano e estar prontos para atender qualquer eventualidade”.

Entre os participantes da reunião, a procuradora-chefe da República em Alagoas, Roberta Bonfim, destacou a importância do encontro. “Entendemos que é bem importante visualizar o Plano de Contingência e essa parte nova, de evacuação, após as últimas informações da CPRM”, disse.

Plano de Evacuação e rotas de fuga

O documento traz também um detalhado Plano de Evacuação, que deve ser ativado preventivamente em situações críticas ou quando houver um acidente. “A evacuação deve acontecer, sempre que possível, de forma preventiva, minimizando o risco à vida dos moradores. Ele prevê uma ação de forma estratégica e coordenada, com critérios técnicos, evitando acionamentos desnecessários”, explica Rodas.

A CPRM definiu que o Plano de Evacuação será acionado sempre que a previsão de chuva nas áreas de risco atinja o volume de 30 milímetros por hora. Nas regiões menos críticas, classificadas como “áreas de atenção”, os técnicos devem ficar em monitoramento constante. Já nas chamadas “áreas críticas” (amarela, laranja e vermelha) a população precisa ser evacuada de forma temporária ou permanente.

“Nesta fase, haveria a evacuação imediata e obrigatória, e os órgãos devem executar ações de assistência e as medidas para salvaguardar a vida e proteção da população”, diz Arthur Rodas. A população será avisada por meio dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudec), líderes comunitários, canais oficiais e pelos meios de comunicação.

“Os cinco pontos de encontro foram acertados depois de inúmeras reuniões com secretários e líderes comunitários da região”, afirma Dinário Lemos. Os moradores seguirão para os pontos de apoio por meio das rotas de fuga traçadas pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). As rotas já estão sendo informadas às famílias que vivem nos três bairros.

Segundo Dinário, o Ginásio do Sesi foi escolhido por possuir as condições necessárias para abrigar até 8 mil pessoas. Além do ginásio coberto, a estrutura conta com um espaço multieventos, salas e banheiros. “O local está bem localizado. Fica perto do Hospital Geral do Estado e possui espaço para atender as famílias, inclusive as crianças”, diz.

Caso haja a evacuação, vários órgãos municipais e estaduais enviarão técnicos e estrutura para o local. Após o fim das chuvas, pesquisadores da CPRM farão uma vistoria minuciosa nos imóveis para avaliar se os moradores poderão voltar para casa.

“É sempre importante a reunião entre os órgãos para debater a situação do Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Falei com o Dinário Lemos para nos reunirmos mais uma vez e discutir mais esse plano. Caso haja necessidade, a gente pode aperfeiçoá-lo”, afirmou o tenente-coronel Douglas de Magalhães, representante da Defesa Civil Estadual.

O supervisor do Samu, sargento Marcos Ramalho, avaliou positivamente a integração entre os órgãos. “Para nós, que fazemos o serviço de urgência e emergência, a explanação foi muito positiva. É uma demanda da nossa instituição e da população entender o que está acontecendo, quais são as áreas de risco, para onde deveríamos levar esses moradores. Foi um momento de esclarecer as dúvidas e, agora, unir e integrar mais os órgãos que vão atuar na área para que possamos prestar um serviço de qualidade para a população”, reforçou.

Ascom – 17/04/2019